quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema - Estranhamento

Mais um delírio literário que volta no tempo, que tenta entender o que é esse tal negócio de "crescer". Dizem que uma hora isso para, mas eu acho que vamos ter que crescer até quando já formos velhos, porque algumas coisas são eternamente incompreensíveis, até para a suposta maturidade.


Então, sem mais delongas e viagens, o poema abaixo trata:


Do garoto cauteloso, ao homem ousado.

Da garota romântica, que não mudou de lado.

Das mudanças óbvias do que um dia foi o primeiro amor vivido.

Da vida, crescida, que não faz sentido.

______________________


.


Há anos, estranhei sua paciência.

Donde vem tanta presença e companheirismo?

Nessa minha vida que só fazia rodar, sem lirismo algum.


Há meses, estranhei seu estilo

Donde vem esse cabelo da moda e essa calça descolada?

Achei que tu era tu, e mais nada.


Há dias, estranhei seu humor.

Donde vem essa alegria espontânea, gritando a necessidade de sorrir?

Você, que a cada noite calada parecia ruir.


Há horas, estranhei seu olhar.

Donde vem essa coragem para elogiar a garota?

Na testa, do suor, nenhuma gota.


Há minutos, estranhei sua liberdade.

Donde vem essa verdade estampada no rosto?

Onde está a vergonha, seu moço?

Outrora escondida nos versos angustiados

Agora estampada nos olhares falados

Que nem sei como interpretar.


Em segundos, estranhei tu, estranhei a mim.

Sem saber se sentia assado, se sentia assim,

Sobre o que, agora, tu é.


Donde vem esse deslocamento, essa perdição de sentimento, que não sei onde colocar?

Desconhecendo tu,

Acreditando em mim.

Sempre achei que ia ser assim,

No fim,

Uma desconexão rebelde entre nós

Fruto de uma confusão inerte dos nós

Do primeiro amor.

9 comentários:

Improvisos de um louco disse...

oh, ki lindo hein... parabéns, gostei mto, esse jogo de palavras ritmadas...

bjs, e não some, oh...sumida....rs..

Bruno Lima disse...

Cada vez melhor e melhor !

o.O

Gessica Borges disse...

Adêê! Você por aqui :D
Que bom que gostou querido, eu não sumo não, você que é muito importante :P

Bruno, thanks a lot :D

Sylvio de Alencar. disse...

Fico curioso em ver o meu (primeiro amor).
Mas, eu também, tenho minhas idiossincrasias...

Uma garota que não muda de lado... Tem seu valor!

Gessica Borges disse...

Silvio, eu espero ( e quanto espero!) que tenha mesmo.
Romantismo é uma merda, quando não usado para os mais lindos poemas.

Sylvio de Alencar. disse...

Uma outra leitura...:
engraçado..., quando se passa um tempo, e voltamos a um post, a uma poesia, a um texto, o vemos com outros olhos, temos outas respostas.
Hoje, 14 de julho, volto aqui, e deixo outras palavras.

Palavras, poesias, textos - ricos - requerem várias leituras para que tiremos deles o que não vimos na leitura anterior.

"Do garoto cauteloso, ao homem ousado.
Da garota romântica, que não mudou de lado.
Das mudanças óbvias do que um dia foi o primeiro amor vivido.
Da vida, crescida, que não faz sentido."


Que, 'ainda' não faz sentido... Mas, fará; quando seus dois pés estiverem pisando o amanhã.
Aí então, verá que o lado que já tinha escolhido (antes de pisar no chão), a fará (sempre), reconhecer o homem ousado que um dia foi cauteloso.

Sylvio de Alencar. disse...

Sua poesia de amor, de 'dor', e do reconhecineto, em conhecer de novo o homem que muda, faz ficar evidente o quanto vc também mudou; impossível ele não também notar que sua beleza amadureceu e se aprofundou, tornando-a fértil aos sentimentos.

Claro, desejamos que algo aconteça, que tudo isso se corporifique no presente, mas, sem ansiedades, sem expectativas, embora, pedir que não haja ansiedades e expectativas, seja um pedido vão.

Que você continue do mesmo lado, que ele possa te ver, caso mantenham ambos, o lado do coração.
Que, além de único, é lado o correto.

Gessica Borges disse...

Sylvio, você conseguiu me emocionar.
Suponho que a vida faz mas sentido conforme o tempo passa, e voltar a não fazer sentido algum quando a morte chega.
Também suponho que, não sei mais se infelizmente, não serei vista pelo meu primeiro amor. Não fui para ele o que ele foi para mim mas, tudo bem, na vida é assim.
Obrigada por voltar! E por ser tão carinhoso com sua atenção :D

Sylvio de Alencar. disse...

"...um delírio literário que volta no tempo, que tenta entender o que é esse tal negócio de "crescer". Dizem que uma hora isso para, mas eu acho que vamos ter que crescer até quando já formos velhos, porque algumas coisas são eternamente incompreensíveis, até para a suposta maturidade.

O crescimento (aquele que vale), jamais pode ser medido através de 'tempo', mas do aproveitamento que se faz dele para se auto conhecer. é desse exercício que advirá o real crescimento.

Ser 'velho', para mim, tem um significado: é aquele que parou no tempo, que não se conhece, que aje por reação (sómente 'reage', e não, age); aquela pessoa que vê a superfície das coisas, por ser ele mesmo, superficial.

Algumas coisas são 'incompreensíveis'..., mas exclusivamente por fazerem parte do mecanismo do que chamamos de vida; nem vale a pena esmiuçá-los.
Por outro lado, se vc olhar para dentro de vc, ou, se ouvir o que sua alma tem a a dizer, saberá que: vc nasceu sabendo de tudo que interessa, veio com todo o conhecimento nescessário para que vc possa saber Quem REalmente É. A vida é isso: um meio para vc experimentar sua Indentidade, e assim, Evoluir.

As perguntas, e respostas, só findam com a morte.
A maioria das perguntas já vêm com as respostas embutidas. Preste atenção e verá que é assim.

Quanto ao 'seu' amor... Não creio que 'infelizmente' seja a palavra a ser usada (parece que nem vc, né), mas, tenho duvidas quanto ao 'felizmente' também.
Realmente, na vida as coisas são assim...
Ruim, mesmo, é não viver.

Falei muito...
Olha, estava bravo com vc: vc simplesmente sumiu...!
Que bom que reapareceu; eu, já tinha ido embora...

Outra coisa: tire essas palavras de verificação, só enchem o saco, e fazem a gente perder comentários...
Fique tranquila, aqui não virão vendedoras da Avon, nem de cartões de créditos. :)

Abrçs.

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