terça-feira, 16 de março de 2010

Máquina de charme


Estava se achando.


A blusinha colada no corpo, com aqueles detalhes rendados que levavam qualquer olhar até seu colo, sem espaço, coitado, de tanto os seios pularem.


E aquela saia super fashion de retalhos? Só retalhos, diga-se de passagem, que quase não cobriam a região da danada.


Nos pés, uma sandália trançada até a batata da perna que contrastava com o próprio humor da garota: nem um pouco amarrada.


As unhas, uma de cada cor, denunciavam o desprezo pela preferência de cores e amores.


O cabelo, geralmente preso, corria pelos ombros ainda molhados, esperando que qualquer um pudesse secá-los. Ou, quem sabe, encharcá-los ainda mais.


Todas as atenções estavam, distraidamente, voltadas para ela.

E a figura, consciente disso, espalhava o charme tanto quanto o ventilador fazia com o cheiro de seus cabelos.


Só um detalhe, um único detalhe, não permitiu que a situação lhe deixasse perfeita: da nuca, sem a menor vergonha, um fio se mostrava, vermelho e vívido, esperando a conexão de vida.

5 comentários:

Karol disse...

UAU amiga, que texto!!!

Gessica Borges disse...

Hehe, que bom que tu gostou amiga ^^

Sylvio de Alencar. disse...

puta texto!!!!!!!!!!!!!!

que fio seria esse???? (notei agora, que li pela 2ª vez, que esse fio tinha ficado (para mim) em aberto...

Seria o fio que amarra a parte de cima da blusinha?
que espera que alguém o desamarre para cobri-la de beijos em algum cantinho mais discreto, fazendo-a conectar-se mais uma vez, com a vida que ela não tem?

às vezes, complico muito...
:)

Gessica Borges disse...

O charme da escrita é esse: as milhões de interpretações possíveis.

Aqui de onde eu enxergo, Sylvio, essa mulher era pura e simplesmente um robô que deveria ser ligado na tomada.

... mas você é mais romântico que eu :D

Sylvio de Alencar. disse...

'Mais', não sei...
Talvez, menos...; beeem menos....
Ou, talvez, igual.

Tudo tem que estar naturalmente em equilíbrio; sem esse devido 'equilíbrio', até (ou, também), o romantismo pode ser uma coisa babaca.

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