domingo, 4 de abril de 2010
Assim que ela fechou os olhos, ele trouxe a caixa à frente do corpo, ajeitou um sorriso superbranco no rosto e disse :
- P — Pode olhar.
A primeira coisa que viu foi o contraste da embalagem com a pele escura do cavalheiro, depois o contente olhar e então pulou no pescoço do homem, com um entusiasmo inocente.

Antes mesmo de devorar o conteúdo da caixa, ainda empolgada com o acontecimento, decidiu tatuar o vício antigo e o novo: um chocolate branco e o rosto do Marcelo Negão. Ficou lindo na pele.

Na volta para a casa, contando os minutos para o encontro com o presente, começou a ler as recomendações de cuidados para a nova tatto.
A segunda linha saltou aos olhos e afundou o estômago:
“Não ingerir: alimentos derivados do cacau.”

Era domingo de Páscoa.

4 comentários:

Karol disse...

hahaha se fufú com o Marcelo NEGÃO hisudhaiu

Gessica Borges disse...

E ficou sem chocolate :D

Sylvio de Alencar. disse...

Primeiro conte que leio tão trágico, quanto singelo!
Vc é ferinha, por causa do conto, é claro; mas também pela maneira como o escreveu; e escreve.

Gessica Borges disse...

Muito Obrigada, querido :D

Uma vez, alguém me contou que as coisas mais simples são as mais bacanas da vida.
Acho que você acredita nisso, também.

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